Quem mata e quem morre: levantamento exclusivo traça o perfil dos feminicídios no RS

Arte: Matheus Leal

Uma mulher de 41 anos é morta a facadas dentro de casa em Porto Alegre. O autor do crime é um homem, companheiro da vítima, também de 41 anos. Ela deixa dois filhos. A vítima não tinha medida protetiva e não fez denúncia contra o companheiro, apesar de ter sofrido violência doméstica. O autor é preso em flagrante e tem a detenção convertida em prisão preventiva, onde aguarda julgamento.

Esse é o retrato construído a partir dos casos de feminicídios ocorridos entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2026, conforme levantamento exclusivo feito pelo Sul21. A partir do registro de dados sensíveis a cada uma das 42 ocorrências, foram traçados dois perfis – da vítima e do autor do crime – com o objetivo de identificar as similaridades e as diferenças em cada um dos casos.

O retrato, embora trace uma linha que perpassa todos os casos, esconde particularidades sobre cada uma das vítimas. São vidas de mulheres, interrompidas entre 15 e 77 anos em todos os cantos do Rio Grande do Sul por uma ação premeditada de ódio ao gênero feminino.

Não se sabe a cor da vítima. Ainda que a aferição da cor ou raça seja possível no registro da ocorrência criminal, através de autodeclaração ou da observação fenotípica, tais registros nem sempre são feitos. Dentre os delegados e as delegadas da Polícia Civil questionados durante a realização deste levantamento, a informação não foi suficientemente respondida para que seja possível traçar um perfil racial.

Também fica escondida uma cadeia de violências que precedem o feminicídio, que, na maioria das vezes, não são registradas diante das autoridades policiais ou que são relativizadas na publicização dos feminicídios. Cerca de 45% das mulheres mortas não possuíam denúncia feita contra os agressores, enquanto pelo menos 38% tinham. Os 17% restantes não foram confirmados pelas respectivas investigações.

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